Castle Season Finale - Review Watershed

Castle – Watershed por Ana Botelho

De sonhos todos nós somos feitos. Passamos a vida atrás deles, esperando a oportunidade de tirá-los do plano das ideias e transformá-los em realidade. Mas quantas não foram as vezes em que essa oportunidade chegou, e o medo de ter tudo o que sempre quis ao alcance das mãos não nos deixou abraçar essa chance como deveríamos? Não diferente da vida real, foi assim com Beckett também.
Com muita graça, descobrimentos e também com a já enorme saudade, a gente viu Castle se despedir da temporada que eu chamo de a temporada da evolução. Vindo com a questão se Beckett aceitaria ou não o emprego na capital, Watershed não teve como nome “divisor de águas” a toa. Aliás, dividida é o melhor termo que eu poderia achar para me definir após essa season finale. Se o Marlowe queria, não só por Beckett em confronto com seus medos e dúvidas, assim como queria deixar os fãs com a cabeça fervendo até setembro, digam ao homem que ele conseguiu. Feito para encerrar o processo entre o que nós somos agora/o que nós seremos no futuro, esse último episódio botou um fim no rumo incerto, e lançou uma proposta bastante inesperada.
Antes de qualquer coisa, eu devo confessar que fui para a season finale com mil expectativas e tive um pouco mais da metade saciada. Longe de mim dizer que foi ruim o episódio – muito pelo contrário. Mas eu esperava mais, e se me permitem, eu achei o final de temporada mais fraco entre os dois últimos. O caso foi bastante interessante, bem inteligente, mas faltou um pouco mais de emoção durante os 43 minutos. Mas, como em Castle são os detalhes que fazem valer a pena, nesse episódio não foi diferente.
Logo no começo eu me assustei por ver o quão adiantado já estava o andamento da tal proposta de emprego. Quando ela optou por esconder do Castle, na semana passada, eu não imaginava que ela chegaria tão longe com o segredo. Mas como a descoberta do segredo só se deu mais lá para frente do episódio, eu deixo essa questão pra depois também. Por enquanto, vamos falar do quão aterrorizante foi ela dizer que sabia o porquê de estar naquela entrevista, e do quão doloroso foi ver a carinha de “despedida” que ela dava para cada situação, já rotineira, que acontecia no departamento.

Ela estava em dúvida. Não só em dúvida, ela estava, internamente, se perguntando como poderia deixar tudo aquilo ali para trás e perseguir um sonho, um novo caminho. E eu a entendo, afinal, quem não sentiria falta de tudo o que eles viveram durante esses 5 anos? Se vocês perceberem, a cada situação que tinha como marca uma característica deles, ela ficava com um ar triste. Foi assim nas teorias do Castle, quando ele e Esposito falaram juntos, quando ela estava botando contra a parede um suspeito da sala de investigação. Durante todo o episódio, ela nos dizia que queria o emprego na capital, mas nos dava pistas de que ficaria em Nova York. Mas se tinha um fator que implicava diretamente na decisão dela, esse fator era a dúvida sobre o que ela e Castle realmente tinham.
Eu disse que Marlowe não dava ponto sem nó, e é exatamente por isso que eu sabia que a questão “para onde estamos indo” ainda voltaria nessa temporada. É claro que mudar para outra cidade, largar o departamento, eram problemas que Beckett teria que lidar – e não eram problemas fáceis. Mas o medo de fazer uma escolha rondava, e sempre rondou, sobre optar ficar por um relacionamento no qual nenhum dos dois havia conversado sobre o rumo. Ela é completamente louca por ele, e isso já é um motivo que explicaria o fato de, por medo, ela ter escondido a proposta dele. Se eles já tivessem sentado e conversado, talvez mais opções surgiriam além de escolher ir para D.C., ou largar a proposta e ficar com o Castle. Se eles já tivessem sentado e conversado, muitas dúvidas não estariam em jogo. Se, se, se.
Se o medo de chatear o Castle, junto com o medo de ter que sentar e conversar sobre o que eles têm, não fossem tão grandes, essa cena teria sido evitada. Desde que ela optou por não contar ao Castle, eu discordei totalmente. Em uma relação, há coisas que devemos mesmo esperar um pouco para ver se vale o sacrifício de uma longa conversa, ou até mesmo uma briga. Mas nesse caso, não era uma simples “coisa”. Como ela disse, era sobre a vida dela, mas mexendo na vida dela, ela mexeria na dele também. Por mais que eles não tenham rotulado ou decidido o que fazer nos próximos meses, ou anos, o Castle está ligado a ela, assim como ela a ele, e por isso, somente por isso, ele estava certo em dizer que sim, aquilo era sobre eles. E desde que mundo é mundo, e Always é Always, nós sabemos que em Castle, guardar um segredo nunca acaba bem.
Mas é aí, no meio de uma turbulência, uma indecisão, uma briga, que entra Martha, nossa representante para os momentos em que queremos por um pingo de juízo na cabeça do Castle e fazê-lo enxergar o que se encontra debaixo de seu nariz. Martha disse o que muitas vezes eu tive vontade de gritar na tela do computador pra ver se chegava aos ouvidos do nosso escritor. Será que ele não via que alguma coisa estava fora dos trilhos? Que, em algum momento, eles teriam que dar um rumo para o que eles estavam vivendo? Não, eles não estavam apaixonados pela música, como Beckett perguntou ao pai. Depois de tudo que eles passaram, não deveria restar dúvidas de que aquilo daria certo. Castle só precisava enxergar, e ir atrás disso, mais uma vez. E ele foi. Foi com a cara, a coragem, e um anel de brilhantes.
Eu não estava esperando um pedido de casamento, e talvez por isso, eu tenha demorado para formar uma opinião concreta na minha cabeça. Depois de muito pensar, eu percebi que, realmente, não tinha um final mais lógico que esse. Como eu disse, essa quinta temporada foi a temporada da evolução, e nada mais justo que finalizar com uma grande (enorme, eu sei) evolução. Porém, nem mesmo a lógica funciona sempre, e eu acho que o Castle quis correr antes mesmo de caminhar. Foi por isso que o final me desapontou. Não a ideia do casamento, mas a forma e o contexto em que ela surgiu. Por tudo que ela representa para ele, por tudo o que eles já viveram, não era por medo e pressão do “meu Deus, se eu não decidir o que temos, poderei perdê-la para sempre” que ele deveria ter feito o pedido. Como encarar com naturalidade um pedido de casamento, se até semana passada nenhum dos dois havia enfrentado todas as questões? Como sair do não sei o que temos direto para o casa comigo?
Sei que muito se falou, e muitas são as opiniões sobre o rumo tomado por esse final. O que me preocupa é o fato deles não estarem preparados para um passo desse tamanho, e a certeza de que a Beckett é sensata o suficiente para chegar a essa conclusão também. Mesmo com o Castle dizendo que não importa o que aconteça, tampouco importa a decisão dela, eu ainda tenho a sensação que o pedido veio junto a uma vontade de mexer com a escolha dela e fazê-la ficar em NY. Embora eu ache que o Marlowe poderia ter feito um pouco diferente, a cena final me fez encher de lágrimas os olhos. Ao som de Robert Duncan, eu tive minhas emoções mexidas por uns mil liquidificadores.
Se ela vai aceitar? Não sei. Meu palpite (e também o meu desejo) é que ela peça calma a ele, e que sentem para finalmente terem a tão esperada conversa. Acho que, independente do que seja a resposta, a sexta temporada terá um plano de fundo muito interessante para ser trabalhado. Como eu sempre falo, a ordem cronológica de Castle é tão perfeita que me assusta. Marlowe separou a quinta temporada para tratar da evolução do romance, e agora, no nosso sexto ano, nada mais justo que nós descubramos o que vem depois da “fase de conhecimento”. Embora o pedido de casamento tenha sido um enorme passo, tenho a total certeza de que eles continuarão seguindo fase por fase, sem falhas, sem pular etapas, sem deixar nada para trás. Castle e Beckett permanecerão galgando degrau por degrau - ou dançando conforme a música, se vocês preferirem.
Me despeço dessa quinta temporada muito mais in love do que quando entramos nela. Serão duros meses de cabeça borbulhando, mas em setembro teremos nossas desesperadas respostas. E, quando o medo bater, a loucura aparecer, e a abstinência falar mais alto, lembrem-se: in Marlowe we trust. Até a sexta temporada!
PS1: A necessidade da Beckett em contar as coisas para Lanie é quase tão grande quanto a minha vontade de ver mais cenas como essa na série. São sempre ótimas cenas, com belos conselhos, e, infelizmente, muito raros. Ainda torço por uma temporada em que haja mais momentos como esse.
PS2: Todos os awards para a Stana e sua interpretação, no episódio inteiro, mas especialmente na entrevista com o suspeito. Beckett é, definitivamente, a personagem mais forte que eu já vi na vida.
PS3: Castle, eu apostaria mesmo no magenta para a capa de Deadly Heat.